A “face” do novo segmento financeiro realmente é outra. As fintechs colocaram de fato os bancos na parede. Não na ameaça de quebrarem ou de terem suas receitas perdidas (ainda). Mas sim na questão de inovação. As fintechs estão empurrando os bancos contra a parede, obrigando-os a produzirem ou comprarem inovação. E por incrível que pareça, bancos (pelo menos os digitais) não são mais instituições criadas por super financistas e economistas somente. A revolução financeira trouxe novos tipos de empreendedores do segmento financeiro.

Olhe por exemplo Pedro Conrade  do Banco Neon, com apenas 24 anos. Esse é também o perfil da Idwall, uma startup de dados que já nasceu na raiz do problema mais preocupante para empresas financeiras, especialmente bancos e fintechs. No site da startup há a notícia em destaque: “golpes que usam documentação falsa chegam a custar R$ 11 bilhões ao país.”

Daí para frente, dá para imaginar a resolução de problemas que a Idwall se propõe a resolver.

Engenheiros formados no Vale do Silício

O perfil dos fundadores da Idwall não é de espantar quem frequenta o Google Campus, espaço inaugurado recentemente em São Paulo, para ser um epicentro de inovação e negócios voltados para tecnologia. É justamente lá que a Idwall vai passar os próximos 12 meses. Selecionados dentre as mais de 800 inscrições de startups, vão ser os primeiros residentes (juntamente com mais 10 novas empresas) que foram selecionadas pelo próprio Google.

Mas o que eles têm de diferente dos outros?

Fundada por três jovens na faixa de 25 anos, a Idwall é uma promessa de encher os olhos de qualquer investidor anjo, fato esse que ocorreu antes da empresa ter seu primeiro cliente. Eles captaram investimento Seed com investidores anjos influentes e com vasta experiência no setor, depois de validarem a primeira versão do produto que faz automação de checagens de dados, KYC (know your customer), verificação de usuários e controle de prevenção a fraudes.

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Foto: Reprodução Idwall

“Golpes que usam documentação falsa chegam a custar R$ 11 bi ao país – Jornal O Globo.

Lincoln Ando, Renan Esposte e Raphael Melo (os fundadores) parecem universitários recém formados, mas são de fato, a nova cara da tecnologia que São Paulo está produzindo. Mas o que será que o Google, bancos, adquirentes e investidores viram neles?

Banco Original, Vale do Silício e IBM Watson

Quando tinham apenas 21 anos aproximadamente, Lincoln e Raphael trabalharam na criação do Banco Original, arquitetando a matriz de análise risco de crédito do banco e nas primeiras aplicações do banco. Depois do banco, apostaram em empreendimentos que deram certo e que serviram de base para a criação do Idwall. Lincoln Ando, ainda morou no Vale do Silício, onde passou por um processo na 500Startups, uma das maiores aceleradoras do mundo. Nesse caminho acharam o Renan, que desenvolveu projetos na área de telecomunicações envolvendo o processamento de grandes conjuntos de dados, e em diversas iniciativas utilizando os serviços cognitivos do super computador IBM Watson, tais como reconhecimento de voz, processamento de linguagem natural e inteligência artificial.

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Lincoln (primeiro à direita) no evento BRNEWTECH, contando os aprendizados do Vale do Silício. (Foto: Brazil Innovatiors)

Essa combinação é o DNA da Idwall: inteligência artificial aplicada ao processo de decisão de empresas. Procurados por bancos, adquirentes, sub-adquirentes, financeiras de crédito e até marketplaces on-demand, a Idwall está eliminando a checagem manual de dados. Para ter uma ideia da dimensão inicial dessa startups, a 99 (o app de táxis líder no país) confiou na Idwall para a checagem de seus novos motoristas. Golaço!

Mercado exponencial

O tamanho do mercado é grande e já conta com gigantes como a Serasa Experian, estes porém, demoram um pouco mais para produzirem inovação. Isso aumenta o potencial de crescimento de startups como a Idwall, que vem para ajudar os setores financeiro e do varejo, a analisarem cada vez mais, dados sobre seus consumidores e parceiros. Essa é também uma das grandes apostas do mercado americano, com startups como Checkr, Blockscore que receberam juntas cerca de R$164 milhões. Para fazer o quê? Fornecer tecnologia para que qualquer empresa possa automatizar seu processo de checagem de dados. Essa é inclusive a lacuna para essas novas empresas substituírem players tradicionais, pelo menos é o que ocorre atualmente no mercado americano (no brasileiro também).

A maioria dos backoffices operacionais que necessitam de análise de crédito, checagem de dados e até coleta de informações de diferentes fontes, costumam manter processos manuais e isso custa muito caro. A chegada de empresas como essa, potencializa a escala de negócios como aplicativos de táxis, fintechs de pagamento, de crédito, de investimentos, bancos digitais (que agora podem abrir contas pela internet) e financeiras. Apesar das “fintechs” terem abraçado a startup, a tecnologia pode ser aplicada em diversos negócios, setores ou indústrias. Até pequenos negócios podem resolver problemas com checagem de dados usando um dashboard.

A combinação de inteligência artificial com dados financeiros é uma super matéria prima para a indústria de pagamentos. É algo que simplesmente ainda não despertou e que faz com que empresas como a Idwall, sejam indispensáveis daqui para frente.

Lincoln, fundador da Idwall estará no evento Innovation Pay.