A subadquirência no país começa a tomar forma e força de gente grande. Já nem sabemos quantos players desse tipo existem. Os subadquirentes brotam de tal forma que o Banco Central terá um grande desafio para assegurar qual será o principal instrumento de fiscalização e regulamentação desse agente do mercado financeiro. Novos nomes já fazem frente à liderança do Pagseguro, Moip, Payleven, Bcash e iZettle, que são os mais conhecidos. E já recebem a afronta de nomes como Iugu e Pagar.me (que se tornou subadquirente nos últimos meses).   

Mas o que aconteceu com alguns nomes que entraram de cabeça nesse negócio de facilitadores?

Quando a Akatus despontou em 2012, parecia ser um ótimo sinal no mercado. E de fato era. A empresa fundada por Marcos Bueno, já nascia com “cara de grande”. Ela já estreava com grana do Charse Equity, fundo da família Martins, que acabava de vender o grupo Multi para a Pearson por R$2 bilhões. A empresa saiu em jornais, artigos de tecnologia e tinha uma comunicação consistente. Mas o que aconteceu?

Abaixo, declaração da empresa sobre o encerramento das atividades.

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Email enviado pela empresa, informando do fim do serviço. (Foto: Reprodução)

Equipe, tecnologia, dinheiro e boa comunicação. Uma combinação que qualquer empresa precisa ter para se tornar referência em seu mercado. Certo? Errado. Pelo menos no caso da Akatus, que “minou” uma operação que transacionava milhões, em pouco tempo.

Telexfree, Bbom e Winner Manager

O fator mais emblemático do fim da Akatus foi de fato o marketing multinível. Para quem não sabe, a Akatus apostou pesado na facilitação de pagamentos no mercado da Telexfree, Bbom e WM (Winner Manager) que através de um esquema de pirâmide financeira, ganharam mais de U$1 bilhão de mais de 2 milhões de pessoas (UOL – 04/03/2015).

Só que a pirâmide foi quebrando rapidamente nos EUA e no Brasil, que culminou na intervenção do Ministério Público em 2013, bloqueando todas as operações de apostadores. Era então o começo do fim da Akatus, que encontrava pela frente o maior monstro da cadeia de pagamentos no Brasil: o chargeback.

Akatus, de promessa à evaporação

Daí para frente, já dá para imaginar o tamanho do rombo que se abria nas contas. As fontes falam em mais de R$40 milhões de prejuízo. Nem bandeira, nem adquirente, nem banco conseguem segurar um problema desses. É reputação, imagem e fluxo de caixa jogando contra qualquer empresa com potencial.

A Akatus nasceu com o propósito de atender o pequeno e o médio empreendedor, coisa que fez bem por certo tempo. A investida no marketing multi-nível aliada com outros problemas internos, fez com que a empresa simplesmente desaparecesse. Além do alto custo que é manter uma operação de subadquirência, que requer checagem de fraudes automáticas e muitas vezes manuais, a mão de obra tem que ser especializada. Os fatores preponderantes para saírem do mercado são simples de analisar se levarmos em consideração o fácil entendimento de “não deu certo”.

No Brasil ainda temos o desafio de ser mais transparente no mercado de pagamentos. Vazamento de dados, fraudes, quebras financeiras e outros problemas, acabam sendo preservados por conta da cultura que temos aqui.

Não é uma coisa excessiva, mas temos diversos casos de fraudes, vazamento de dados de cartão de clientes e problemas de pagamento que temos por aqui, mas talvez por conta das bandeiras e bancos, algumas informações não são divulgadas para os consumidores.

Em mercados como EUA, o vazamento de dados, como no caso da varejista Target, que teve o sistema acessado por hackers (que roubaram 100 milhões de dados de cartões), é comum serem expostos na mídia, para alertar. Ou o caso recente do site de relacionamento para infiéis Ashley Madison, que teve a lista de usuários ativos publicada.

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O Reclame Aqui, também pegou fogo. (Foto Reprodução: Reclame Aqui)

As reclamações nas mediações comerciais da Akatus na época, dispararam, e a imagem começou a se fragilizar.

Afinal, pagamentos é puramente reputação.