O artigo do Nearshore Americas, escrito pela editora do The Next Web (aclamado site de tecnologia), anunciava ainda no ano de 2015, que “a Economia da Recorrência”, termo fundamentado pela super fintech Zuora, viria para estabelecer mercados que ainda nem existiam ou que tampouco eram desenvolvidos no Brasil e na América Latina. Mas que mercados são esses?

Se quase 70% do PIB do Brasil está no segmento de serviços, porque empresas de pagamento sempre tiveram foco em comércio tradicional e e-commerce? Onde está o “big money”?

Tradicionalmente atendidos pelos bancos, empresas de serviços como: contabilidades, clubes sócio esportivos, condomínios e empresas de software, faturavam e cobravam seus clientes através de boletos até então. E não dá para negar que 99% do mercado de serviços, ainda fatura nesse modelo. Poucos negócios acordaram para a profissionalização do faturamento. Quem conhece o dia a dia de um departamento financeiro comum sabe que, o trabalho manual ainda é bem oneroso quando o assunto é contas a receber. Ainda mais em um momento como esse, onde a economia passa por um momento turbulento. E falando de economia, quão grande é o sonho de qualquer empreendedor que se preze, de ter uma empresa que fature sempre?

Essa é exatamente a proposta que Rodrigo Dantas, ao fundar a Vindi em 2013, trouxe para o mercado. Ainda que sem contrato, sem tecnologia pronta e sem faturamento, teve a ideia de ir aos maiores adquirentes do país pedir ajuda para formatar um projeto que consistia em atender parte do mercado, que gateways e adquirentes (nascidos como empresas de pagamento) ainda não haviam vislumbrado. Recebeu porta trancada em todos eles, menos na Elavon, que passando por uma reestruturação em 2012, deu um ok para trazer o projeto e entender o que era uma plataforma de pagamento completa. Na época, a Elavon não tinha e-commerce, o que fez arquivarem o projeto com o primeiro esboço da Vindi.

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Dantas, no evento Paytech levou o tema “fintechs” para adquirentes, bancos e investidores. (Foto: reprodução Paytech Summit)

Sem saber da teoria da sincronicidade do universo, há 5KM de distância, Dantas não sabia, que o Site Blindado, seria vendido e que seu fundador Mauricio Kigiela, estava com o mesmo propósito: atender o mercado de assinaturas e recorrência. E sem conhecimento da mesma teoria, levou adiante o projeto que hoje responde por Smartbill, um ERP para negócios de assinatura. As duas empresas com meses de diferença entre fundações, foram as primeiras a divulgar o termo “economia da recorrência” de forma ampla, seja pegando carona na própria Zuora, que encontrava dificuldades para emplacar seu billing focado em grandes companhias americanas, como em modelos ultra validados de Netflix, Spotify e Salesforce.

Há 700 Km de distância, no município de Joinville, a software house Informant, decidia ainda em 2011/2012 que iria dividir sua unidade de negócios em dois:o software de gestão Ágil ERP, que depois virou ContaAzul e o software AsaaS (fizemos um show case deles aqui, leia) que nasceria com foco em “faturamento recorrente”.

A economia da recorrência resolvendo problemas

Para se sustentar, empresas devem ter receitas recorrentes. Essa é uma premissa inquestionável. Mas e como ter acesso a isso? É a proposta de Vindi, Smartbill e Asaas, cada um em seu foco e negócio. Desde a fundação das três empresas, o mercado de pagamentos só olhava de fato, comércio. Até o e-commerce, com força maior dentro das próprias adquirentes agora, era negligenciado como um subproduto de um negócio de trilhões que é o do POS (maquinetas de cartão). De lá para cá a criação da Stone (do grupo Arpex), a entrada da Global Payments, Elavon e Bin no mercado e a consolidação da Getnet, trouxe um game totalmente novo nesse negócio de pagamentos: não dá para ser commoditie.

Fazer uma transação e criar sistemas de “mensagerias” para se comunicar com bancos, bandeiras e adquirentes, já não é suficiente para grandes varejistas que querem entrar no mundo on-line. Agora o negócio tem que ser altamente profissional, o que faz de empresas nascendo nesse mercado, exigirem ainda mais de si mesmas, uma capacidade gigante de inovação. No texto elaborado por nós “As 10 novas empresas de pagamento do mercado”, que ainda cita empresas como Pagar.me, Konduto e eBanx, fala claramente que agora, empresas de pagamento são feitas por hackers (no bom sentido) e não mais por financistas. O que é de fato uma verdade, já que Adyen e Stripe, com presença mundial, têm em seu DNA, uma cultura de tecnologia com inteligência artificial, design e de alta performance.

É nisso que encaixa o título do texto com o momento que o Brasil se encontra. Toda empresa vai precisar criar formas diferentes de vender, seja recorrente ou não. E inadimplência não é mais assunto só de economistas e bancos. O que faz dessas empresas, especialistas no seus negócios, terem alto valor para qualquer e-commerce, escola ou quaisquer empresas que vão precisar de coisas além da tecnologia.

Billing, desafio de 99% das empresas que cobram assinaturas

O cenário é 2015, já com o mercado ainda aberto (novos adquirentes entrando, novos sub-adquirentes sendo criados) e todo oceano azul a se conquistar. Daquele primeira reunião do então projeto Vindi apresentado para a Elavon, muita coisa aconteceu mesmo que em pouco tempo. Tanto Asaas como Vindi, já chegam aos milhares de clientes, o que faz de um case de “growth hacking” real dentro de um mesmo segmento. Por que isso? Por que a maioria dos empreendedores que contratam serviços dessas empresas, já acordaram que ter um faturamento recorrente, é vital para sobreviver nesse ambiente econômico. Para isso, essas empresas consomem serviços como o da Vindi, do Smartbill, do Asaas e de outras empresas que se propõem a resolver o problema desse modelo.

Segundo a Gartner e outras empresas que analisam tendências, 100% das empresas de software no mundo, serão empresas de assinaturas. A própria SAP relutou muito para admitir tal afirmação, só o fez, quando Salesforce cresceu mais do que eles acreditavam.

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Foto do Assinaturas Day: 300 empreendedores interessados no mercado de assinaturas (Foto: Reprodução Nearshore Americas)

Para atender essa demanda de softwares, novos modelos de negócios e novas economias, plataformas focadas em suas verticais, serão indispensáveis para empresas com grande escala na nuvem. Como você acha que empresas como Netflix, Spotify, Salesforce e cases brasileiros como VivaReal, Serasa e Vtex resolvem problemas de billing? Elas simplesmente delegaram a responsabilidade de processar pagamentos e fazer cobranças nas mãos de plataformas como as citadas no texto. O negócio é tão incipiente que a Vindi, capitaneada pelo próprio Dantas, criou o evento Assinaturas Day para se comunicar e entender melhor o que clubes de assinatura, gigantes de tecnologia e empresas no modelo recorrente (escolas, academias e etc) precisam. Na sua terceira edição coordenada com o BrNewtech, o evento levou mais de 300 pessoas ao auditório da Telefônica para ouvir Vindi, Rodrigo, Netflix, Zendesk e alguns dos maiores cases de assinatura do Brasil.

Hackers, vendedores e advogados

O time da Vindi é jovem (a média está em 27 anos) e ainda conta com uma parcela de ex-executivos de bancos, advogados e uma equipe de engenheiros da computação de fazer inveja a qualquer fintech americana. É exatamente nesse ponto que resolvem um complexo sistema financeiro numa única solução. A Vindi é uma das poucas plataformas que consegue atender de forma plena, e através de uma única integração, as soluções de cartão de crédito, boletos bancários e débito em conta.

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Rodrigo Dantas na sede da Vindi. Foto: Reprodução Vindi

Esse pode ser inclusive, o motivo pelo qual os clientes da empresa ficam mais de 5 horas na plataforma e não mais no internet banking, como era de costume. A Vindi na sua essência tem mais de 9 bancos, 8 adquirentes, 3 sub-adquirentes e mais de 7 outras integrações, o que faz dela, um verdadeira ecossistema financeiro para empresas que precisam de uma plataforma robusta de faturamento. Além de criação de produtos que potencializa o volume financeiro dos próprios clientes. É exatamente isso o que viu empresas como Serasa Experian, Thomson Reuters, VivaReal, Buscapé e Benchmarking Email.

Em entrevista ao programa empreendedor Man in the Arena, Rodrigo ilustra a criação de comunidades, vendas e conta um pouco da história da empresa. Assista.

Esse momentum trouxe a atração de investidores e compradores (que foram descartados), que fizeram a Vindi pensar como gente grande. Liderado pelo Criatec2 e a Bozano Investimentos, a empresa acaba de anunciar um novo round (Série A) para formar a segunda rodada de investimentos da empresa, que agora mira o mercado Latino Americano, ainda um oceano azul para pagamentos recorrentes.

Aquisição

Recentemente, a empresa adquiriu cerca de 90% do facilitador de pagamentos Aceita Fácil, numa transação que durou cerca de 3 meses e que trouxe os principais empreendedores para dentro da estrutura do grupo. Agora, a Vindi vai oferecer para pequenas e médias empresas: subadquirência e soluções como marketplace, conciliação automática e antecipação de recebíveis. Inédito esse feito, se tratando de startups.  A empresa tem cara de adquirente.

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Claudio Meinberg (Aceita Facil) e Rodrigo Dantas (Vindi) em foto oficial. Foto: Reprodução Vindi.

A Vindi como qualquer outra que levanta uma bandeira e cria comunidades em volta de si, não recebe mais “portas na cara”.